CADNorm

Normalização e boas praticas de desenho técnico em computador

quarta-feira, novembro 09, 2005

Normalização de desenho técnico em computador (I)


A forma rápida como a sala de desenho, se transformou em gabinete de arquitectura/engenharia DIGITAL, não permitiu a real adaptação e optimização das novas ferramentas electrónicas. Pois a passagem do estirador para o computador como ferramenta de desenho, de uma forma geral foi feita de modo empírico. Como consequência desta situação levou a que as verdadeiras potencialidades do CAD ficassem esquecidas ou pior ainda desconhecidas de facto.

Isto deve-se em parte à falta de formação nas tecnologias utilizadas, não sendo estas utilizadas na sua totalidade. De uma forma genérica, ainda são utilizadas somente as funções que substituem os antigos métodos de desenho, como o desenho de linhas, ou a cópia (decalque) de entidades não sendo o trabalho entendido como um modelo único, mas sim, como diversas folhas de desenho independentes, sendo os objectos desenhados à escala de representação e não à escala real. Dai resulta um aumento do tempo de produção e um esforço acrescido na alteração do projecto, pois a probabilidade de erro por omissão aumenta, assim como o trabalho redundante. O trabalho é ainda também um exercício solitário e não um trabalho colaborativo.

Estas situações seriam evitáveis se houvesse uma aposta na formação especializada e fossem desenvolvidos ou adoptados métodos de produção conforme a ferramenta que está a ser utilizada, e o fim a que esta se destina. Por analogia, quando a mesa de trabalho era o estirador, ninguém tentaria fazer um traço fino com uma caneta 0.70, pois o fracasso seria o mais provável.

Outro problema é a ausência de normas específicas para utilização nas ferramentas electrónicas, como o nome dos layers, a utilização de simbologia universal, o nome dos ficheiros, a numeração das folhas, a utilização de tramas, imagens e referências externas, fontes de texto, os formatos das folhas e legendas, a forma de apresentação.

Por exemplo, a vantagem que as ferramentas electrónicas podem trazer na integração, compatibilização e coordenação das diversas especialidades técnicas de projecto, só agora começa a ser utilizada, existindo ainda conflitos de toda a ordem entre especialidades ou grupo de trabalho, apesar das tecnologias e formatos digitais utilizados serem os mesmos.

Para que o CAD seja uma ferramenta colaborativa e rentável, torna-se necessário o desenvolvimento de Normas, estas tanto se aplicam aos formatos, layers, cores, nomes de ficheiros e estruturas de directorias, como à criação de check-lists de verificação/aceitação de projectos, sendo esta a única forma de evitar erros de construção, resultantes de um projecto menos rigoroso.

Se estas normas forem utilizadas e respeitadas por todos os intervenientes, o custo de projecto será garantidamente mais baixo, e qualquer erro existente será facilmente identificado desde a sua origem.

O ciclo de vida do empreendimento poderá ser acompanhado de forma simples, desde a fase de Ante-Projecto até à fase de Manutenção.

José Carlos Gonçalves
Lisboa, Junho 2005

in NormaCAD


CAD – Computer Aided Design, desenho assistido por computador
IPQ – Instituo Português da Qualidade

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